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NASCEU
UM
MENINO...
Francisco Rubeaux, OMI
É, sem
dúvida, a revelação peculiar da fé cristã, da fé bíblica que
Deus se faz presença entre nós. Ele entra na História da
Humanidade e caminha conosco.
Já no Antigo
Testamento, Deus foi se revelando na realidade do dia a dia
das pessoas. Abraão o recebeu debaixo de sua tenda (Gênesis
18, 1 a 15) e Jacó o reconheceu num sonho eu teve quando fugiu
do seu irmão Esaú para a terra de Harã. “Deus estava aqui e eu
não sabia”(Gênesis 28, 16).
A Moisés, Deus se
manifesta na sarça ardente e se identifica simplesmente como
“Aquele que está”, Deus presença e presença que vem para
libertar os oprimidos (Hebreus, Êxodo 3, 1 a 15). O mesmo Deus
se apresenta aos Juízes como Gedeão: “O Anjo de Javé veio e
assentou-se debaixo do terebinto de Efra” (Juizes 6, 11).
Da mesma forma Ele
se apresenta aos Profetas para assegurar: “Não tenha medo, Eu
estarei contigo” (Jeremias 1, 8).
O que podemos
observar é que essa presença de Deus sempre se revela Junto
aos mais fracos, aos mais marginalizados. Abraão é um pastor
nômade, sem lugar certo para residir,ao ponto que quando a
sua esposa Sara morre, nem sequer ele tem um pedaço de chão
para enterrá-la. Ele vai comprar uma gruta para servir de
sepultura, será a primeira posse do que virá a ser a Terra
Prometida (Gênesis 23, 1 a 6). Jacó está fugindo da ira do
seu irmão, que ele enganou, mas ele será o Patriarca, pai dos
filhos que darão o seu nome às tribos de Israel. Moisés é um
fugitivo do Egito, se fez pastor de ovelhas no deserto junto a
família de Jetro que o acolheu. “Quem sou eu para ir libertar
os Hebreus, além de mais sou cago”( Êxodo 3, 11e 4, 10). Gedeão
mesmo se reconhece como “O meu clã é o mais pobre em
Manasses, eu sou o último na casa de meu pai”. Nem tanto é
Gedeão que Deus escolhe e envia para salvar o seu povo Israel
das mãos do inimigo.
Os Profetas são
pessoas simples, camponeses, pobres, sem relação na sociedade
em que vivem, mas são os escolhidos de Deus para levar a sua
Palavra ao seu Povo.
De lá nasce a idéia
de que o Messias, o Ungido de Deus, que virá trazer a Paz e a
Bonança para toda a Humanidade, será uma pessoa pobre,
simples: “Exulta muito filha de Sião, grita de alegria, filha
de Jerusalém! Eis que teu Rei vem a ti: Ele é justo e
vitorioso, humilde, montado sobre um jumento, sobre um
jumentinho, filho de jumenta”(Zacarias 9, 9).
Assim estava
preparado o Povo de Deus para receber o Enviado de Deus. Mas,
a mania de grandeza das pessoas humanas, seu desejo de sempre
ver a glória e as maravilhas, fizeram que, quando chegou o
Enviado de Deus, não souberam reconhecê-lo! Pois ele veio, mas
na humildade e simplicidade.
“Ele que era de
condição divina, não se agarrou à sua condição, mas se
esvaziou para se fazer um de nós em tido igual a nós, menos o
pecado” (Filipenses 2, 6).
Sim, Deus enviou o
seu mensageiro, mas, Ele enviou seu próprio Filho: “Deus amou
tanto o mundo que lhe enviou o seu próprio Filho” (João 3,
16).
Este Filho nasceu
como um pobre, um pobre migrante, nasceu no meio de uma viagem
obrigada, forçada pelo poder dominador de Roma. Ele não nasceu
na capital, Jerusalém,e sim na periferia: Belém de Judá. Deus
se fez menino, criança, sem defesa, dependendo de todos. A Boa
Nova está nisto: “Eis que nasceu para vocês um Salvador, na
cidade de Daví. Encontrarão um menino deitado numa manjedoura”
(Lucas 2, 12). Deus se fez frágil, se fez criança, entregue
nas mãos dos outros.
Depois foi morar em Nazaré da Galiléia, de onde nunca saiu
nada de bom (João 1, 46). Ele trabalhou como carpinteiro,
trabalhador manual, não freqüentou as escolas dos Escribas
(João 7, 15 ).
Jesus, o Filho de
Deus, sempre se encontrou no meio dos empobrecidos, dos
excluídos da sociedade do seu tempo. Até por isso mesmo
escandalizou as pessoas de boa situação e de boa condição.
Estas pessoas o chamaram até de “glutão e beberão”, porque
freqüentava as pessoas de má fama e de má conduta (Mateus 11,
18-19).
Quando nasceu os
Magos vindos do Oriente (Mateus 2, 1) pensaram que iam
encontrá-lo no palácio do rei Herodes, mas se enganaram. É na
cidadezinha de Belém que poderiam encontrá-lo.
Deus continua
presente no meio do seu Povo, a Humanidade, mas é entre os
empobrecidos que Ele se encontra. Até hoje, a lógica de Deus
não mudou. Por sinal, Jesus já nos advertiu: é entre os
empobrecidos que Ele está : “Quando te vimos Senhor, com fome
ou com sede, nu ou preso ou doente, estrangeiro e não te
socorremos? Em verdade eu vos digo, cada vez que negaste
socorro a um estes pequeninos que são os meus irmãos, é a mim
que o recusastes”( Mateus 25, 40).
O nosso Deus
continua vindo a nós na pessoa dos mais necessitados. Ele se
identifica com os mais empobrecidos. A revelação divina do
Antigo Testamento como do Novo, não deixa nenhuma dúvida. Deus
está presente entre nós, na nossa História, mas está presente
entre os empobrecidos. É lá que o encontraremos.
O Natal de Jesus é a
simples confirmação desta revelação única e peculiar da fé
cristã: Deus está no meio de nós e está no meio dós
empobrecidos. Se nós queremos o encontrar temos que ir à
periferia de nossas cidades, nos lugares mais marginalizados
de nossa sociedade. Nada de shopping center, de super mercado,
de festas de alta sociedade, Ele não está lá. Não nos deixemos
enganar pelas propagandas falsas.
A única
revelação do nosso Deus é esta: Eis que estou com vocês e
estou no meio dos marginalizados da periferia.
Sabendo disto,
acolhedores da Boa Nova, nós o encontraremos entre os
empobrecidos de hoje, os excluídos de nossa sociedade, os
carentes e necessitados que encontramos no dia a dia.
Somente assim teremos um feliz Natal, um feliz aniversário do
Menino que quis nascer entre os pobres do seu tempo para que
saibamos reconhecer e valorizar os pobres do nosso tempo.
A todas e
todos,
um
FELIZ
NATAL
DE
PAZ E
VIDA
PARA TODOS. |